domingo, abril 07, 2013

Feliciano é mais honesto que Marina Silva

Admito que a palavra coerente seja mais adequada que honesto, mas não resisti à provocação.
Feliciano já demonstrou toda a abjeção de seu caráter em palavra escrita, declamada e cantada e dele todos sabemos o que esperar.
Já Marina Silva prefere posar de Suiça Comportamental toda vez que é argüida sobre questões como aborto e casamento gay.
Todos sabemos de sua fé, direito fundamental e privado, e a pergunta nunca é sobre sua opinião pessoal. Quem se propõe a um cargo executivo deve saber, e imagino que ela saiba, que suas opiniões pessoais não devem pautar suas decisões num governo democrático. Sendo assim, o interesse contido nas perguntas é de ordem pública e não privada.
Entretanto, em mais de uma ocasião, vi Marina Silva dizer que vai "consultar a sociedade" sobre essas questões.
Esse é um posicionamento canalha e covarde por vários motivos.
Primeiro, que nós já sabemos o que a maioria pensa e governo democrático é diferente de governo da maioria. Governo democrático é eleito pela maioria para defender direitos de todos. Inclusive das minorias.
Portanto, outorgar a uma consulta à sociedade a responsabilidade de decidir sobre questões individuais é covarde.
Segundo, que nas questões de aborto e casamento gay, a legalização de cada uma dessas matérias não atinge de maneira nenhuma o direito, as convicções pessoais e a moral de quem é contra. A legalização não torna o aborto obrigatório. Nem o casamento gay. Quem é contra exerce seu direito democrático de sê-lo hoje e continuará exercendo esse  mesmo direito quando forem legalizados não praticando nenhum dos dois.
O contrário não acontece.
Quem é a favor ao direito ao aborto e ao casamento gay tem hoje seu direito cerceado por convicções alheias.
Por isso afirmo que essa posição de Marina Silva, se exercendo o poder em cargo executivo, de transferir o ônus da responsabilidade sobre essas questões a uma decisão popular da qual ela já sabe o resultado é mais que covarde. É canalha.