domingo, outubro 06, 2013

Vida

É triste quando você começa a economizar informação, medir palavras, fingir desconhecimento pra não revelar tudo o que sabe sobre aquele assunto pois do contrário o espanto gerado vai te ferir tanto, tanto.

Pontinhos

Antes de criticar que a pessoa é arisca, com mecanismos de defesa em alerta constante, ligue os pontos.
Defesa pressupõe ataque.

domingo, setembro 22, 2013

Confissão ainda que tardia.

Eu não comemoro meu aniversário.
Nada contra quem o faz e participo alegremente dos festejos de quem curte, mas eu prefiro que o meu seja ignorado.
Enquanto eu não estiver numa idade em que cada ano seja uma conquista ou que tenha vencido alguma doença grave, não vejo nada notável na data do meu nascimento que mereça uma comemoração.
Isso choca muita gente e não tem nada de baixo astral no fato.
Apenas não gosto e acho que já passei da idade de fazer o que detesto pra não melindrar outrem.

terça-feira, setembro 17, 2013

A vida feita à mão

A solicitação era: "10 coisas que eu aprendi e posso ensinar a respeito do trabalho de designer."

Em primeiro lugar, não tenho formação em design. Portanto, não sou designer.
Mas faço trabalho de criação e me autointitulo artesã.
Não farei aqui uma lista formal. Apenas algumas considerações levando em conta pontos que considero importantes que aprendi no processo.

- Em primeiro lugar uma frase que está na primeira página do meu site que considero o mantra de toda pessoa que trabalha com criação: "Não há criação sem acervo."
E quanto mais rico for o seu acervo, mais recursos você terá na hora de juntar os pontos e formar um novo produto. E a riqueza desse acervo está diretamente ligada à sua variedade e diversidade. Quanto mais amplo for seu leque de interesses maior facilidade você terá para criar.
Nessa busca de acervo não despreze nada. Desde as clássicas: cinema, teatro, televisão, leitura, arte até as mais específicas da sua área. Por exemplo: no meu caso, eu nunca desprezo uma visita a armarinhos, lojas de ferragens e afins. Olho o máximo de peças que posso, mesmo que não vá comprar todas elas. Aquelas informações ficarão registradas e num trabalho posterior de criação, meu leque de soluções será maior e saberei onde buscá-las.

- Cursos de técnicas específicas do seu trabalho são importantes. Cada produto tem formas de acabamento específicas, com produtos e peças próprias para cada fim e segredinhos valiosos que poupam tempo e trabalho. E a criação se dá a partir do pleno domínio da técnica. Portanto, durante o período de aprendizagem não se acanhe em copiar exatamente o modelo que está aprendendo. A parte criativa virá com o exercício do fazer.

- Tenha um canto especial para seu trabalho com as peças de montagem em exposição. Para ganhar espaço, guarde seu estoque em caixas mas deixe pequenos potinhos com um pouquinho de cada à sua vista. O processo criativo é muito visual e vc precisa checar o que tem constantemente.

- Não se esqueça que seu trabalho se destina à venda e é importante estar ligado no que acontece no meio. Se seu produto é acessório, fique por dentro do que rola na moda, pois, fatalmente, essa informação influenciará, inclusive, o comércio de peças de montagem do seu produto e por mais criativo seja o seu trabalho, ele precisa ter um elo com o que acontece na moda, como cores, dimensões, etc.

- Observe. Mais que vitrines, observe o que as pessoas usam. Uma vitrine é uma promessa de venda e as pessoas que usam já compraram. Ao ver uma pessoa usando uma peça no estilo da que você produz faça uma rápida análise de sua condição sócio-cultural pra classificar corretamente o seu produto no mercado. Quem é a pessoa que usa meu produto? Essa informação é valiosa pra tomada de várias decisões de mercado.

- Mecanismos de venda. A internet é uma maravilha mas só ela não basta. Existem eventos que ampliam e complementam sua carteira de clientes e que te colocam em contato pessoal e direto com o cliente que permite pesquisas valiosas de reação ao seu trabalho: feiras, bazares, etc.

E lembre-se: não é hobby nem terapia. É trabalho e como tal tem seu osso. Fazer a vida à mão não é fácil. Mas pode ser muito prazeroso.
Boa Sorte!



sexta-feira, agosto 09, 2013

Pausa

Você não pode fraquejar.
Não deve desistir.
Não dá pra parar.
Não tem tempo pra perder.
Mas hoje, só hoje, o tempo que espere.
Vou encher os copos, pensar a vida e tentar respirar.
Só hoje.

sábado, agosto 03, 2013

A fina

Visitando casas.
Trajando minha calça estampa anos 70, camisa branca e trico mole por cima. E tênis. E bolsa de tecido.
Na sala da casa uma geladeira vermelha.
O corretor avisa:
- A geladeira não fica na casa.
Olho pra ele, que completa:
- É que pelos seus trajes a senhora adora uma coisa velha.
Minha vida.

domingo, julho 07, 2013

Caminhando

Meu nome é angústia. Mas não é todo dia. Tem dia que é puro desespero.

quinta-feira, junho 06, 2013

Nomeando

A todas as qualidades que puder me atribuir, e todos sabemos que são muito poucas, preceda a palavra supostamente. Exatidão de caráter é o nome disso.

domingo, abril 07, 2013

Feliciano é mais honesto que Marina Silva

Admito que a palavra coerente seja mais adequada que honesto, mas não resisti à provocação.
Feliciano já demonstrou toda a abjeção de seu caráter em palavra escrita, declamada e cantada e dele todos sabemos o que esperar.
Já Marina Silva prefere posar de Suiça Comportamental toda vez que é argüida sobre questões como aborto e casamento gay.
Todos sabemos de sua fé, direito fundamental e privado, e a pergunta nunca é sobre sua opinião pessoal. Quem se propõe a um cargo executivo deve saber, e imagino que ela saiba, que suas opiniões pessoais não devem pautar suas decisões num governo democrático. Sendo assim, o interesse contido nas perguntas é de ordem pública e não privada.
Entretanto, em mais de uma ocasião, vi Marina Silva dizer que vai "consultar a sociedade" sobre essas questões.
Esse é um posicionamento canalha e covarde por vários motivos.
Primeiro, que nós já sabemos o que a maioria pensa e governo democrático é diferente de governo da maioria. Governo democrático é eleito pela maioria para defender direitos de todos. Inclusive das minorias.
Portanto, outorgar a uma consulta à sociedade a responsabilidade de decidir sobre questões individuais é covarde.
Segundo, que nas questões de aborto e casamento gay, a legalização de cada uma dessas matérias não atinge de maneira nenhuma o direito, as convicções pessoais e a moral de quem é contra. A legalização não torna o aborto obrigatório. Nem o casamento gay. Quem é contra exerce seu direito democrático de sê-lo hoje e continuará exercendo esse  mesmo direito quando forem legalizados não praticando nenhum dos dois.
O contrário não acontece.
Quem é a favor ao direito ao aborto e ao casamento gay tem hoje seu direito cerceado por convicções alheias.
Por isso afirmo que essa posição de Marina Silva, se exercendo o poder em cargo executivo, de transferir o ônus da responsabilidade sobre essas questões a uma decisão popular da qual ela já sabe o resultado é mais que covarde. É canalha.

domingo, março 03, 2013

Correio elegante

Vera e Fer, delícia vcs por aqui.
Deh, que dizer das trilhas a não ser que a jukebox do Taranta está entre os meus objetos de desejo TOP5 ?
Roubava fácil!

sexta-feira, março 01, 2013

Objetivamente

As pessoas me perguntam se torço pelo filme ou pelo Tarantino. Se meu voto e minha torcida são incondicionalmente direcionados, não importando quais os filmes concorrentes.
A resposta é não.
Dado o meu comportamento frenético, pra dizer o mínimo, em relação a Bastardos Inglórios e Django, entendo a dificuldade em acreditar na minha objetividade.
Ocorre que Tarantino está amadurecendo sua arte. Aguardo com imensa expectativa e acompanho com imenso prazer as suas produções mais recentes. Bastardos Inglórios e Django, hoje, são o ponto máximo de qualidade de sua obra.
Claro que reconheço, aprecio e admiro a genialidade e delícia de Cães de Aluguel e Pulp Fiction. Mas tem ali a ânsia do discurso, o frio na barriga e o talento represado de um gênio que tem muito a dizer e a mostrar e apenas duas horas pra isso.
A partir de Kill Bill ele está solto. Brinca com suas referências, mistura veículos e linguagens e costura sua história com linhas de todas as cores. E, principalmente, sabe que já chegou lá e este lugar já conquistado permite que ele conte quantas histórias ainda quiser, da forma que imaginar.
Se os irmãos Coen são o Rembrandt do cinema, Tarantino é Pollock. Nada é contido. Tudo é exagero, cor, sangue, personagens bizarros e todas as músicas do mundo misturados de tal forma que só a sua condução precisa permite que esse emaranhado de cores formem a delícia de um filme como Django, por exemplo.
Respondendo a outra pergunta, não, eu não acho que todos os filmes de Tarantino mereçam ser premiados.
Jackie Brown, por exemplo, eu gosto, me divirto, mas reconheço que não é filme que possa pretender premiação. Curiosamente é o único roteiro adaptado.
Existem critérios objetivos sob os quais os filmes podem ser avaliados.
Um filme é uma forma de se contar uma história. Partindo desse ponto, uma boa história é pressuposto básico essencial para um bom filme. A academia e o mundo reconhecem que Tarantino conta uma história como poucos. Seu roteiro é premiado e aclamado.
Outro critério objetivo para se julgar um filme são seus personagens. Além de usar muito bem figurinhas fáceis de Hollywood, Tarantino ressucita do ostracismo atores que viram deuses em papéis memoráveis em seus filmes, descobre preciosidades européias como o eterno coronel Landa, já premiado com dois Oscars e cria tipos tão improváveis quanto inesquecíveis como um escravo que vira cowboy e sai em busca de sua amada de parceria com um alemão, encarnando uma lenda germânica em pleno Mississipi.
Diálogos e apresentação de personagens é o que dá ritmo e sabor a um filme. Além de personalizá-lo. É só pensar o quanto determinadas falas contribuíram para eternizar centenas de filmes e quantos atores são lembrados por seus personagens. E do Tarantino é sua arte maior.
Trilha sonora é outro critério que não pode ser desprezado. Ninguém ainda compôs uma trilha sonora para o Tarantino. Ele atua como um DJ maluco juntando todos os sons e ritmos numa farofa criativa que explode na tela conduzindo a cena de maneira inimaginável.
Agora junte todos os critérios acima e aplique a cada filme que concorreu ao Oscar desse ano, inclusive e principalmente ao que ganhou.
Muito bem.
Atente  também para o fato de que Quentin, o Tarantino sequer foi indicado como diretor.
Daí, me respondam: é ou não é motivo pra ficar puta???!!!