domingo, outubro 09, 2011

Tijolo por tijolo.

A construção da nossa autoestima passa por muitos caminhos. Cada pessoa valida suas escolhas, acomoda seus muitos medos, atribui seus acertos a uma determinada parcela de sua personalidade onde o  chão lhe é um pouco mais firme que o resto do mundo.
Portanto, quando esse pedaço de chão sofre um abalo, toda sua vida está em cheque.
Acomodar  tudo novamente, voltar a confiar em si mesma, retomar caminhos interrompidos e corrigir as próprias falhas leva tempo, dor e silêncio.
Tudo é processo. E a retomada do fio demanda esforço diário além de uma dose extra de proporção e realidade.
Vai dar pé novamente. Mas por enquanto todo o esforço concentrado mantém apenas a narina fora dágua.
É o que tem pra hoje.

domingo, outubro 02, 2011

A última do sutiã.

Vi por alto que há uma polêmica no ar.
A polêmica é sobre a propaganda de lingerie da Gisele. Onde ela dá as notícias ao marido do jeito errado - com roupa - e do jeito certo - de lingerie.
A crítica acha a propaganda ofensiva às mulheres. Eu acho exagero. Tenho medo da ditadura do politicamente correto e considero essa uma das suas manifestações.
Não sou nenhuma beldade e mesmo assim a propaganda não me ofendeu nem um pouco. Achei divertida exatamente por lidar com a erotização de uma relação afetiva de uma maneira leve e marota.
Considerar a mulher um objeto de desejo não é ofensivo.  Desde que essa não seja uma limitação. Somos todas objeto de desejo e desejamos nossos(as) parceiros (as) da mesma forma, grazadeus!
O que complica é o rótulo, a limitação, o estereótipo.
Se sou gostosa não posso ser também inteligente?
Se sou gostosa e inteligente e escolho ser dona de casa, não pode?
Se não sou gostosa nem linda, não posso ter nem realizar fantasias?
Somos isso tudo aí, tudo junto e misturado.
E podemos exercer cada uma das nossas muitas possibilidades. Ou não.
Limitação é nociva quando vem do outro.
Decisão de ser isso ou não ser aquilo se chama escolha.
E não é uma moça linda fazendo charme pro marido, vestindo uma lingerie, que vai abalar nossas estruturas.
Isso faz de todas nós objetos sexuais?
Objetos sexuais nós já somos. E isso não é nenhuma tragédia. Porque somos isso e muito mais.