Quando Paulo Lins escreveu Cidade de Deus, num processo de pesquisa de estudo sociológico na comunidade onde nasceu, ele fez muito mais que relatar dia a dia da sua favela.
Ele abria em leques problemas sociais, angústias e anseios humanistas, conflitos entre diferentes classes sociais geograficamente próximas, a crueza de sentimentos e personagens marginais e sem saber inseria para sempre Cidade de Deus no contexto mundial.
A comitiva americana que decidiu incluir Cidade de Deus no roteiro da visita do Obama ao Brasil muito provavelmente não conhece Paulo Lins. Mas a política da sua decisão foi pautada por ele.
A busca pelo conhecimento, a tentativa de compreensão do mundo, a inquietação de Paulo Lins em entender e retratar o seu entorno, deu voz e identidade a uma parte esquecida do mundo.
Essa voz foi ampliada de forma maravilhosa por Fernando Meirelles e os desdobramentos dessa história são consequências felizes de uma iniciativa autêntica e pessoal.
Num canto esquecido da Cidade Maravilhosa, promovido unicamente pela sede de fazer parte do mundo Paulo Lins cantou sua aldeia. E continua universal.
Adoro o Obama e sua família e não ignoro nem faço pouco do significado da sua visita. Mas depois de ver Cidade de Deus vestida de amarelo, cantando "Sou brasileiro, com muito orgulho..." e indagadas quanto ao significado do gesto, senhorinhas responderem que gostariam que Obama soubesse que elas são felizes e que ele é muito bem vindo, declaro: Obama é o caralho! Meu nome é Paulo Lins, porra!

2 comentários:
neguin se achando mó intelectual.. obamis foi lá kadekê lá faz um bolinho de aipim com carne moihda que é da porra!!
Hmmm sei não, sei não.
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