terça-feira, março 29, 2011

Mimos de Norah

O que fazer de lembrancinha de nascimento pra filhinha de uma cientista-de-passarinho que mora em Milão, casada com um italiano?
Conversando com a mãe por email, ficou decidido que seria cartõezinhos de papel semente de manjericão em envelopinhos coloridos.
Mãos à obra. Primeiro a confecção do papel:

Depois a escolha das cores dos envelopes:


Os adesivos criados pela Xu:

As florzinhas:


O papel semente no envelope:


Os envelopinhos todos alinhados, prontos pro vôo pra Milão!

Que a chegada de Norah seja tranquila e que o carinho desse mimo lhe abençôe, Alline!
Beijos meus e da Xu!
P.S. Este post deveria ter sido publicado do Blog da Brigite, mas por alguma urucubaca cósmica o wordpress não está subindo imagens hoje.

segunda-feira, março 21, 2011

Hoje eu sou Cidade de Deus


Quando Paulo Lins escreveu Cidade de Deus, num processo de pesquisa de estudo sociológico na comunidade onde nasceu, ele fez muito mais que relatar dia a dia da sua favela.

Ele abria em leques problemas sociais, angústias e anseios humanistas, conflitos entre diferentes classes sociais geograficamente próximas, a crueza de sentimentos e personagens marginais e sem saber inseria para sempre Cidade de Deus no contexto mundial.

A comitiva americana que decidiu incluir Cidade de Deus no roteiro da visita do Obama ao Brasil muito provavelmente não conhece Paulo Lins. Mas a política da sua decisão foi pautada por ele.

A busca pelo conhecimento, a tentativa de compreensão do mundo, a inquietação de Paulo Lins em entender e retratar o seu entorno, deu voz e identidade a uma parte esquecida do mundo. 
Essa voz foi ampliada de forma maravilhosa por Fernando Meirelles e os desdobramentos dessa história são consequências felizes de uma iniciativa autêntica e pessoal.

Num canto esquecido da Cidade Maravilhosa, promovido unicamente pela sede de fazer parte do mundo Paulo Lins cantou sua aldeia. E continua universal.

Adoro o Obama e sua família e não ignoro nem faço pouco do significado da sua visita. Mas depois de ver Cidade de Deus vestida de amarelo, cantando "Sou brasileiro, com muito orgulho..." e indagadas quanto  ao significado do gesto, senhorinhas responderem que gostariam que Obama soubesse que elas são felizes e que ele é muito bem vindo, declaro: Obama é o caralho! Meu nome é Paulo Lins, porra!

quarta-feira, março 16, 2011

Rabugices sobre uma propaganda.

Eu gostei da nova campanha de propaganda da Net para TV: "No dia em que eu virei um Net".
Nunca gostei das campanhas anteriores dessa empresa em nenhuma de suas edições e sempre que aparecia uma nova eu balançava a cabeça e ponderava se a campanha que era péssima mesmo ou era eu que estava ficando cada vez mais rabugenta.
Por isso, ver o Hudson Senna entrar com um violãozinho maroto foi uma bênção. Fui gostando de todas as edições, até a do sapatinho de pano pra não riscar o chão rarara, mas gelei quando vi uma das últimas a serem veiculadas. A da filha, Suzana.
O ator/cantor entra em cena com o violão e a filha está numa mesa de estudos entediada. O texto diz que a filha Suzana quer adquirir cultura "mas não tem a menor paciência". Então a solução é assinar a Net.
Bateu no ponto.
Claro que arte de maneira geral, cinema e teatro em particular são fundamentais. E a TV a cabo está trazendo muita coisa de boa qualidade. Mas nada disso será absorvido de maneira plena ou minimamente compreensível sem estudo prévio. Uma coisa não substitui a outra. Recentemente assisti de cabo a rabo toda a série Roma produzida pela HBO e adorei. Compreendi conceitos, alinhavei períodos e me deliciei com uma produção primorosa. Mas certamente não teria aproveitado nem 10% da coisa se não houvesse primeiro passado pelos livros de história.
Eu gosto muito de televisão, adoro internet e não sou contra nenhum dos avanços tecnológicos. Mas nenhum deles jamais substituirá horas diárias de estudo sério. E esse caminho passa, necessariamente, pela leitura. 
E o que me irrita profundamente  é essa condescendência com a chamada "geração Y". Até o nome dado eu acho ridículo. Melhor, o fato de terem dado nome a isso é ridículo.
Acho lamentável nomearem como fenômeno sociológico o produto de décadas de negligência paterna e alienação cultural. Ou melhor, nomear, tudo bem. É papel da sociologia entender e classificar comportamentos. O que me deprime é o fato de universidades reunirem seu corpo docente uma semana antes do início do ano letivo pra palestras que tem o intuito único de mostrar como funciona a cabeça da  "geração Y" para imediatamente se adequar a ela. Os alunos não lêem livros? Damos resumos. Não fazem pesquisa? Confeccionamos apostilas. Não lidam com papel? Fornecemos matéria condensada em lindos e caríssimos netbooks. E, como sugere a propaganda mencionada, tem preguiça de estudar? Assinamos a Net e está tudo resolvido.
Não existe forma fácil de adquirir conhecimento. Não existe fórmula mágica de aprender sem esforço. E é nosso papel de pais e educadores propiciar condições para o exercício do aprendizados de nossos filhos. E determinados conceitos não mudarão jamais. Estudar é difícil, é cansativo e não será divertido o tempo todo. Exige concentração, esforço, responsabilidade e disciplina.
Todo o avanço tecnológico conquistado servirá sempre de base de apoio, ferramentas de pesquisa e complementação de formação cultural.
E esse conceito do caminho fácil tão naturalmente defendido me ofende. E estar numa propaganda de TV a cabo me revolta.
Eu só torço pra todas as Suzanas estarem juntas e inscritas na mesma prova de mestrado que eu.
Aí sim. Seria divertido.