sexta-feira, janeiro 14, 2011

Tartaruga sábia

Os quarenta anos trouxeram pra mim a preciosa consciência da mortalidade.
Nada dramático nem recheado de pavores.
Nada decorrente de fatos concretos.
Nenhuma predisposição ao lúgubre nem ao baixo astral.
A simples e indefectível sensação de que sim, um dia morremos e não será diferente comigo.
Claro que todos sabemos disso desde a tenra idade. Mas saber é muito diferente de sentir.
A ficha não caiu de uma vez. A coisa se deu aos poucos.
Mas acredito que o fato do meu filho mais velho ter terminado a faculdade tenha sido o grande divisor de águas.
Eu tinha uma frase recorrente: "quando meus filhos terminarem a faculdade, eu vou voltar a estudar." Analisando agora, todas as minhas frases recorrentes do período imortal começavam com "Quando" "Um dia" ou seja, num futuro indefinido e distante.
A consciência da mortalidade não trouxe pra minha vida somente um bom contrato de seguro, mas principalmente a certeza de que meu tempo é agora e quando é hoje.
O futuro indefinido e distante não existe.
E essa certeza ajuda a definir horizontes, a deixar de sofrer pelo impossível e aproveitar o máximo o que se tem à mão.
A decisão de fazer mestrado é parte de tudo isso. Uma nova etapa, um objetivo concreto, um horizonte possível dentro de um quadro que talvez tenha de mais fascinante o fato, agora palpável, de não ser eterno.

4 comentários:

Isa disse...

Adorei, Suzi. Que 2011 seja então um ano de concretizações.
Bjo gd

Helê disse...

Parabéns, Suzi, e seja bem-vinda. A vista daqui é bem interessante.
Qdo cheguei pensei em coisas semelhantes, se tiver curiosidade veja lá: http://duasfridas.wordpress.com/2009/09/27/40-anos-2/
Beijo.

Silvana Ferrari disse...

Boa sorte no mestrado, Suzi!

Odessa Valadares disse...

Suzi, boa sorte. O bom dos filhos é justamente isso: perceber o tempo e o quanto se aprendeu. O problema é que não os tenho, então vai ser difícil perceber aqui que é hora de voltar pra escola. :)