sexta-feira, maio 15, 2009

Reflexões de uma mãe

Carol vai hoje a meia noite pra Saõ Paulo com a turma do curso de Design pra visitar a Bienal, Masp e Mam. Viagem de ônibus fretado, super barata (preço de ida e volta menor que o preço de uma passagem de ida pra Sampa em um ônibus de linha).
Vão em turma, com a companhia de um professor (mais adiante falo disso), com uma agenda cultural bacana e um preço acessível. Mesmo assim algumas colegas da Xu não vão e ela me contou abismada que é por que "os pais não deixam".
Mas não deixam por que?
Analisamos os fatos, conversamos sbre o assunto, ela relatou o que observou no contato com as amigas e acabou concluindo: eles não deixam somente para exercer a própria autoridade. "Não vai porque eu não deixo e pronto." Sem margem a explicações.
Ahh, como eu conheço isso...
Sou uma mãe de muito poucos nãos. Quando solicitada, pra qualquer que seja a coisa, eu penso primeiro se existe alguma possibilidade daquilo ser um sim. Eu busco primeiro o sim. O não vem da impossibilidade total e absoluta.
Mas eu observo, diante desse quadro da viagem da Xu, que ainda existem pais que proibem somente pelo ato de proibir. Sem fundamentação consistente alguma, somente com o intuito de afirmar sua autoridade.
Minha autoridade vai muito bem, obrigada, não tenho necessidade nenhuma de reafirmá-la. Pelo contrário, como meus não são escassos e muito bem pensados, não tem choro nem vela que faça com que um deles se transforme num sim. Sem querer, sem propósito definido, firmei posição e território.
Quanto à companhia do professor na dita viagem, pra mim seria perfeitamente dispensável. Os cuidados e precauções a protegerem minha filha de 18 anos passa ao largo do fato de ter a companhia de alguém mais velho. Nossos mecanismos são outros, estão sendo plenamente exercidos e me sinto muito segura com eles.
Mas não deixo de pensar num caso desses: sou minoria nisso também? Catzo....

7 comentários:

Carla San disse...

"Se" um dia eu eu crescer, e resolver ser mãe( Deus tenha misericórdia!), quero ser igual à vc.
Beijocas

Elaine disse...

É minoria sim. Mas conte-me na minoria, estou tentando te imitar.

Mani disse...

Querida, também busco o sim, e quero que minhas bruguelinhas tenham independencia, e uma vida cheia de boas lembranças...Fico na minoria com voce!!!!!

Ana Paula disse...

Eu nunca poderei dizer o suficiente o quanto te admiro. Em tudo, mas especialmente como mãe. Concordei com tudo. Deus queira que eu saiba agir da mesma forma (já tou tentando), com essa clareza, essa segurança. Fruto de uma confiança mútua que se constrói devagar, ao longo de vários anos na criação e educação dos filhos. Não é assim, de uma hora pra outra.
Posso te abraçar beeeeem forte?

Naty disse...

tou na fila!

Monica Loureiro disse...

Temos que ter uma relação de confiança com nossos filhos, caso contrário, que será de nós ?

Dizer NÃO pelo NÃO é a pior coisa....Meu pai era assim comigo...

Odessa Valadares disse...

Concordo com você (e acho que minha mãe também)! Aos 12 anos, eu tinha autorização (por escrito, no Juizado de Menores) para viajar do RN para PE, pra visitar meu avô ('Agora eu tenho autorização pra fugir'. O homem do Juizado riu tanto).

Meu irmão mais novo, aos 15 anos, não tinha permissão pra passar a noite na casa de um amigo. E a explicação era clara (todo 'não' era explicado): 'Você não tem MATURIDADE suficiente, não é uma questão de idade'.

Ah, mesmo autorizada, eu só fugi quando tive o diploma da faculdade em mãos. Mudei-me na mesma semana e nunca mais voltei pra casa de minha mãe. Diz isso pras 'crianças', Suzi: 'A verdadeira liberdade é responsável'.

(Ficam perguntando onde eu achei um colar tão lindo e haja eu explicar como funciona seu blog. Virei garota-propaganda)