sexta-feira, outubro 17, 2008

Cristianismo no morro

Uma cena de filme que pra mim define o cristianismo é uma cena do Paixão de Cristo do Mel Gibson onde um corvo bica o olho do ladrão na cruz ao lado da de Cristo. Esse ladrão é aquele que não acreditou que o Cristo era filho de Deus e por isso, para o cristianismo, mereceu a bicada.
A mensagem é clara: ou está comigo ou está contra mim e, portanto, merece o inferno e todas as suas dores.
Essa idéia do cristianismo é repetida a exaustão em conceitos, parábolas e profecias. Cada vez mais eu afino a idéia de que o cristianismo tem muita coisa em comum com a estrutura do tráfico no morro. Ou você faz tudo o que o cristianismo quer que faça e aí estará bem com os zome ou arderá no fogo do inferno.
Nada mais violento.
O cristianismo não aceita diferenças. Ele quer converter a todos.
O cristianismo não convive com o oposto. Ele acredita ser superior.
Mas o cristianismo só atinge a plenitude de sua perniciosidade na figura do cristão ignorante. Ah, o cristão ignorante...
Essa figura é de dar pena.
Incapaz de pensar por efeito de anos e anos de condicionamento e lavagem cerebral, ele repete trechos bíblicos como verdades absolutas sem ter a menor noção do seu significado.
Roga praga em nome de um Deus que acredita seu chegado num grau de virulência que seria assustador se não fosse cômico. É de rir.
Como pessoas adultas conseguem manter tal comportamento sem se envergonhar profundamente de tamanho ridículo é pra mim um mistério.
A esse tipo de violência elegi a distância como antídoto. Não frequenta a minha casa. Não ocupa espaço nenhum na minha vida.
Preciso de ar, sanidade mental e bem viver.

5 comentários:

Ana Paula disse...

Tá atacada, fia? Faz bem.

Olha, vou te fazer um pedido. Se vc receber comentários malvados, gente furiosa te xingando e te ameaçando, desses que vc provavelmente nem vai liberar, jura que conta pra mim? Cara, eu me divirto com a intolerância e a falta de humor e simancol alheias. Pelo menos quando a encrenca não é comigo.:-)

Dalva M. Ferreira disse...

Magnificamente bem escrito: curto e grosso... Olha, eu ando uma pilha: não acredito em nada, não aceito nada, não li e não gostei. Imagina conviver com esses beócios!

fal disse...

pronto, o ateísmo impera. olha aqui, suzi márcia, tira o corpim manequin34 fora não, que nossa igreja vem aí, com toda a fúria que jesus puder mandar. tu deixa de ser pagã.

Biscoito Doce disse...

Mas veja só... se tu prestar atenção, vai perceber que quem acaba ferrandoc om fé e todas as outras coisas relacionadas a alguma religião é o fanático e/ou ignorante. O cristão por exemplo, convertido, que crê nao fica te convidando toda vez que te ve pra ir na igraja dele. mas seu amigo que "virou crente" te chama de todas as formas e fala oq uanto sua vida é torta e a dele, agora, é certa. é sempre assim. ignorância. muito bom oq ue voce escreveu.

Odessa Valadares disse...

Apropriarei-me de parte do post (o último parágrafo, na verdade), com os devidos créditos.
A questão não é ser cristão ou mulculmano ou judeu ou qualquer que seja a crença. É ser intolerante. Isso, sim, é inaceitável.
Como você sabe, eu sou uma ignorante em bandas internacionais, mas me apaixonei pelo U2 por causa da mensagem de um show: Coexista!