sexta-feira, agosto 15, 2008

Se eu não falar eu grito

Sei que a jurisprudência já vem corrigindo este absurdo há décadas e que, contrariamente ao que diz o Código, os filhos que já atingiram a maioridade civil continuam fazendo jus ao recebimento de alimentos (meu deus como detesto este termo!) até terminarem a universidade.
Não é do aspecto jurídico de que falo. Falo da capacidade de um progenitor (sim, nada mais que isso pois paternidade/maternidade é exercício, não cargo vitalício adquirido) de declarar em juízo que não tem mais nenhuma obrigação para com os meninos, em face deles aliás, pois já completaram 18 anos.
Meninos que nunca choraram a noite quando bebês.
Meninos que se sentavam no sofá da sala dos outros e só se levantavam com ordem de adultos. Meninos que entravam nas Americanas com 5,00 cada um pra comprar o chocolate pra semana e escolhiam, trocavam, faziam conta e jamais pediram pra ultrapassar a cota.
Menino que um dia entrou na joalheria com 30,00, com o uniforme sujinho depois do treino, colocou o dinheiro no balcão e perguntou o que dava pra comprar pra sua mãe.
Menino que corria em volta do quarteirão pro tempo passar mais rápido e chegar logo a hora de cortar o bolo do seu aniversário.
Menina que com um ano de idade dizia boa noite as 20:00, subia na cama e dormia. E acordava sozinha na manha seguinte, pegava uma banana, voltava pra cama e dizia "oi mãe".
Meninos que hoje batalham suas vidas da forma mais perfeita, honesta e íntegra que eu conheço. Nem precisava tanto pra merecerem cuidados.
Aliás não precisava nada. São meus filhos. Basta. Meu amor é incondidional e não preciso que me apresentem atestado de bom comportamento pra merecerem proteção e amparo.
Só que não consigo deixar de ver correr esse filminho na minha cabeça quando ouço tamanha palhaçada.
A esses meninos o progenitor diz que nao tem mais nenhuma obrigação. Obrigação aliás, é necessário que se diga, nao é cumprida a muitos anos.
Lamento meninos por ouvirem tudo isso. Mas deixa estar, venho aí montada numa execução alada e vou fazer cumprir cada centavo. Não é nada perto do muito de bom que vocês merecem e sei demais que vocês seguem com os procedimentos só e tão somente em apoio a mim, pois preferiam não ter que passar por mais essa dor.
Justiça? O exercício dela na tentativa de proteção aos nossos direitos lesados sempre nos fere. Só que às vezes é insuportável.

5 comentários:

Ana Paula disse...

Meu amor,
meu abraço, meu apoio, minha indignação conjunta, minha concordância irrestrita.
E muitos beijos corujas de tia pros seus filhos, todos lindos e altamente apertáveis. Quem os conhece que o diga.

fal disse...

Ô meu bem.

Valéria disse...

Tem caras que nem pra chamar de homens dá. Só de procriadores. AFF!!!!
Todo meu apoio a ti.

Tati Tatuada disse...

Olha Susi, independente do que a Lei diz, eu entendo que a obrigação é moral, não judicial.
Dai a gente pode prever quem tem moral e quam a perdeu.
Mas, como dizem, o mundo é redondo.
Beijos a você e a seus filhos.
Tati

Suzi disse...

Ahhh meus amores... não devia doer tanto. Obrigada pelo carinho.