quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Just questions

Cada vez que vejo uma mulher trajando roupas muçulmanas: lenço de seda cobrindo os cabelos, túnica até os pés, me sinto angustiada.

Na sala de embarque, ao meu lado, com um bebê no colo, tem uma.

Observo que o tecido da sua túnica, embora de um cinza muito discreto, é de alta qualidade, assim como sua bolsa e sapatos.

Quando ela levanta para se juntar ao homem que a acompanha à fila de embarque, o casal formado não me poderia ser mais improvável. Ele usando uma camiseta amarela da Diadora, tênis Nike e calça jeans. São um casal certamente. Ela entrega o bebê a ele para pegar um documento na bolsa.

Toneladas de preconceito me atordoam em forma de perguntas:

Será que esse "modus vivendi" é uma escolha dela? Uma mulher escolhe viver assim? Nao falo somente das roupas mas do pacote completo que acompanha a vida da mulher muçulmana.

Noto que o bebê no colo do pai éuma menina. A ela será concedido o direito da escolha? Poderá usar roupas ocidentais, se quiser? Irá à faculdade? Escolherá seus namorados? Poderá tê-los? Poderá não se casar se preferir? Querendo, poderá escolher o marido? A mãe teve essas escolhas? Sabe que ainda pode tê-las?

Preciso estudar mais sobre esse assunto. Tudo o que vi e li até hoje se junta num nó amargo na minha garganta enquanto miro a garotinha dormindo no colo do pai.

5 comentários:

Ana Paula disse...

Suzi, chegou aí em curitiba um filme de animação chamado Persépolis? Se chegar, ainda que mais tarde, em dvd, assista. é lindo, é um pouco triste,, é verdadeiro e é tremendamente humano. é a autobiografia de uma moça iraniana, que viveu a infância numa família liberal pré-revolução, e teve que sair do país quando o governo virou uma teocracia islâmica. Narra, de forma bem humorada até, e cáustica, as crises de identidade, a obrigatoriedade do uso do véu, a relação com os amigos, com sexo, com a profissão. Eu amei. E ajuda a gente a dar uma arejada nas idéias.
É tudo muito diferente. Mas a gente não vive dizendo que há espaço (ou pelo menos, que deve haver) para a diferença no mundo? Por que só a NOSSA diferença, e não a delas?
Partilho da tuas reflexões, darling.
bjks

Denise Zen disse...

Menina,

pelo que eu vi e convivi (namorei um mulçumano marroquino bastante tempo atrás), elas não tem muita escolha não. Na realidade eles não tem muita escolha. É uma sociedade muito rígida, cheia de regras e preconceitos, o que é interessante, pois o Corão derruba vários desses preconceitos. Mas quem disse que as pessoas seguem os livros sagrados que dizem seguir, não é?
A questão da liberdade feminina entre os muçulmanos é um assunto para um longo debate. Elas juram de pés juntos que vivem do jeito que querem e as decisões de usar véus são delas, pois não querem se submeter aos olhares masculinos. Mas, para mim, isto já é uma prisão por si só.
Eu conheci uma mulher saudita que teve a audácia de sair do padrão. Roupas ocidentais, divórcio, trabalho independente, etc. Ela não aguentou o tranco. Depois de anos vivendo assim, rebelde, a cultura a venceu e ela arranjou um marido, escolhido pela família e voltou a ser a boa muçulmana. No final, a tristeza é que ela não vai ser feliz com nenhuma das escolhas. Em uma ela exclui a família, sua cultura, suas raízes; na outra ela exclui sua individualidade.
E os homens de lá ainda dizem que elas podem escolher e que eles respeitam as escolhas delas...
E eles, apesar de terem uma vida mais confortável, também nãp podem escolher serem contrários a essas atitudes arcaicas. Os que o são e desafiam a família, são prontamente ignorados. E como os homens (especialmente os muçulmanos) são muito machos mas sem muita substância, eles dizem concordar com a família, desistem de suas lutas e perpetuam a atitude retrógada desta sociedade.
Bom, é só esperar acabar o petróleo, né? Já já a sociedade muçulmanda volta ao estágio tribal de onde eles acham que saíram.

Max disse...

a dica da Ana é boa, mas o livro é melhor que o filme. Vale a pena.

o problema das mulheres no mundo muçulmano é que ou elas não sabem que têm escolha ou elas sabem que não têm escolha...

Mani disse...

Também fico angustiada...Não acho que haja escolha...

Dalva M. Ferreira disse...

Não tenho uma opinião decente sobre este tema. O mundo é mesmo muito estranho... uns bolsões de "desenvolvimento" e outros ainda vivendo tão retrogradamente. Uns tão pobres, outros tão miseráveis. Era hora do mundo não ser tão díspar. Ou nem.