quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Branco

Comecei a escrever sobre a Ligia 10 vezes. E não consigo terminar. Pra falar a verdade, não consigo nem começar.
A morte da Lígia foi a comprovação de que minha consciência de mortalidade é uma fraude. Não que a ficha tenha caído. Acho mesmo que ainda não. Acho também que não cai pra ninguém. Ninguém acalenta a idéia de mortalidade de forma tranqüila e concreta. Ninguém se prepara pra isso. Eu estou falando da mortalidade do outro. Da própria eu conheço histórias de quem planeja até funeral. Mas a idéia de perder o amado (pai, marido, filho, irmão, namorado, o que for) será sempre o terror maior. Um terror tão imenso que existe de forma latente. E se apresenta no dia a dia de várias formas. Na apreensão pelo atraso. Na angústia da doença. Num nó que às vezes nos aperta a garganta e choramos escondido sem nem saber direito por que.

Um comentário:

Ana Paula disse...

É, neguinha... e quando acontece é sempre um baque, um golpe tão duro que nenhuma das nossas reflexões e filosofias adianta...