quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Just questions

Cada vez que vejo uma mulher trajando roupas muçulmanas: lenço de seda cobrindo os cabelos, túnica até os pés, me sinto angustiada.

Na sala de embarque, ao meu lado, com um bebê no colo, tem uma.

Observo que o tecido da sua túnica, embora de um cinza muito discreto, é de alta qualidade, assim como sua bolsa e sapatos.

Quando ela levanta para se juntar ao homem que a acompanha à fila de embarque, o casal formado não me poderia ser mais improvável. Ele usando uma camiseta amarela da Diadora, tênis Nike e calça jeans. São um casal certamente. Ela entrega o bebê a ele para pegar um documento na bolsa.

Toneladas de preconceito me atordoam em forma de perguntas:

Será que esse "modus vivendi" é uma escolha dela? Uma mulher escolhe viver assim? Nao falo somente das roupas mas do pacote completo que acompanha a vida da mulher muçulmana.

Noto que o bebê no colo do pai éuma menina. A ela será concedido o direito da escolha? Poderá usar roupas ocidentais, se quiser? Irá à faculdade? Escolherá seus namorados? Poderá tê-los? Poderá não se casar se preferir? Querendo, poderá escolher o marido? A mãe teve essas escolhas? Sabe que ainda pode tê-las?

Preciso estudar mais sobre esse assunto. Tudo o que vi e li até hoje se junta num nó amargo na minha garganta enquanto miro a garotinha dormindo no colo do pai.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Grogue? Eu?

Alguém aí já abriu uma latinha de cerveja geladésima enquanto fazia o almoço, se esquecendo de que nao tomou nem o café da manhã, e metade daquele mal estar é fome. que diabos, está muito calor, coisa e tal, e pega o pote de macarrão de letrinhas pensando que é o de farinha e taca na farofa de couve?

Alguém? Não?

.....

Ok. É só uma retórica pergunta pra uma pesquisa científica de resultado ultra-secreto.

domingo, fevereiro 24, 2008

Mãe é só uma. Ainda bem pra eles.

Sei disso tudo:
- Que a escola politécnica da USP era o sonho dele;
- Que fiz de um tudo pra ajudá-lo a conseguir chegar lá;
- Que ele tem 23 anos e já faz 5 que está lá;
- Que está muito feliz e cada vez mais lindo/inteligente/cool;
- Que já conquistou um montao de coisas por mérito próprio e certamente conquistará muito mais.
Mas acabo de deixá-lo na rodoviária e, na volta pra casa, a visão do prato vazio em cima da mesa me faz chorar de sacudir o corpo.
Duas verdades sobre o fato:
-Saber isso tudo não faz doer menos.
-Mãe é um bicho muuuiiito besta.

domingo, fevereiro 10, 2008

Vejo flores em você.


Total descontrol em fitas de cetim. Só vejo cores na minha frente.

Vai ver como está ficando.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Xu de modelo



Carolchita usando colares e pulseira do Ateliê.


quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Utilidade Pública

Tenho uma dificuldade monstro em explicar conceitos.
Quando minha filha diz: "explique"eu suspiro.
Foi aí que o pseudo livro/filme O Segredo me prestou um serviço da maior grandeza.
O conceito de pessoa insuportavelmente-superficial-com-tendências-modernosas-e-discípula-das-terapias-motivacionais-enquanto-leitora-e-transmissora-assídua-de-pps ficou mole de demosntrar.
- Fia, se o cara leu/assistiu O Segredo e gostou, abomine!
Não tem erro.

Radar sem noção

Entre os muitos defeitos que tenho, está o de observar e ouvir as conversas das pessoas em lugares públicos e classificá-las de acordo com suas opiniões e atitudes.
Sala de embarque de aeroporto é um prato cheio.

Perua espaçosa: fala alto ao celular, todos os ocupantes da sala são informados por tabela sobre quem vai buscá-la no aeroporto, a sua bagagem de mão ocupa 2 cadeiras e ela pede a quem estiver do lado que dê “uma olhadinha” nas suas coisas enquanto ela busca um refrigerante no quiosque.
Indumentária – Bolsa de onça, salto agulha, calça de lycra, óculos com strass e perfume insuportável.
Imagino que: leia caras, assista Ana Maria Braga, o Chanel do óculos seja falso e tenha alguém que banca a conta.

Mocinha Zen –Senta-se no chão em posição de lótus, abre um potinho com frutas picadas que come enquanto lê Ponto de Mutação.
Indumentária: Bolsa de lona a tiracolo, sandália de tiras, vestidinho florido, brinco de pena.
Imagino que: Curse filosofia, seja vegetariana e acredite que tenha “alguma ligação com o Cosmos”.

Casal “Antenado” – Lêem revistas (Você SA e Época) e comentam as notícias um para o outro. Acreditam que “o posicionamento do Lula é ridículo”e que o autor da novela das 8 se perdeu no roteiro e analisam a queda das bolsas.
Indumentária: Ela: jeans e camiseta, óculos quadrado colorido, bolsa de tecido bordada. Ele: jeans, camisa de manga curta, óculos Ray Band.
Imagino que: não tenham filhos, viajam a passeio e trabalhem no mercado financeiro.

Eu – Me metendo na vida dos outros, sem a menor educação ou decência e ainda postando no blog.
Indumentária: Camisa e jeans e sandália confortável.
Imagino: se aos 70 eu inda cometerei essas indiscrições.

Branco

Comecei a escrever sobre a Ligia 10 vezes. E não consigo terminar. Pra falar a verdade, não consigo nem começar.
A morte da Lígia foi a comprovação de que minha consciência de mortalidade é uma fraude. Não que a ficha tenha caído. Acho mesmo que ainda não. Acho também que não cai pra ninguém. Ninguém acalenta a idéia de mortalidade de forma tranqüila e concreta. Ninguém se prepara pra isso. Eu estou falando da mortalidade do outro. Da própria eu conheço histórias de quem planeja até funeral. Mas a idéia de perder o amado (pai, marido, filho, irmão, namorado, o que for) será sempre o terror maior. Um terror tão imenso que existe de forma latente. E se apresenta no dia a dia de várias formas. Na apreensão pelo atraso. Na angústia da doença. Num nó que às vezes nos aperta a garganta e choramos escondido sem nem saber direito por que.