segunda-feira, novembro 05, 2007

Vai lá, lê e fica puto também, faz favor!

Deu no Globo de hoje:
2 universitários e 1 menor, classe média, atacam prostitutas na Barra da Tijuca no RJ.
As prostitutas contaram que os rapazes estavam num carro e pararam para "conversar". Quando elas se aproximaram eles lançaram o pó de um extintor em cima do grupo.
Foram flagrados por um engenheiro (aleluia!) que denunciou o fato à polícia.
De tudo o que me deixou puta, mais puta, putíssima! foi a declaração do pai de um deles:

"Não fizeram nada de mais. Tem gente que faz coisa pior. Foi apenas uma
brincadeira de crianças. Qualquer um passou por isso quando adolescente. Não
entendo por que os jornalistas estão interessados nessa história".

Meu pai, por onde começo?
"Nao fizeram nada demais. Tem gente que faz coisa pior."
Dos muitos argumento abomináveis este é um dos que fazem meu sangue ferver. Tal político roubou? mas qual não rouba? Roubou tanto? Mas e o outro que roubou o dobro? Asifudê! Sem contar que isso não é nem nunca foi argumento, não passa de pretensa justificativa para atitudes sórdidas.
Sem contar que a posição do pai já mostra claramente de onde vem a certeza da impunidade e a total ausência de noção de espaço dos meliantes.
"Foi apenas uma brincadeira de crianças. Qualquer um já passou por isso na adolescência".
Alto lá! Qualquer um só se for da sua família, meu caro. Já fui adolescente, não muito santa, mas nunca nem me passou pela cabeça fazer um troço desses. E tenho 3 filhos que certamente não fizeram nada parecido e se ainda passar pela cabeça deles uma atitude dessas eles certamente sabem o que os aguarda em casa.
"Não entendo por que os jornalistas estão interessados nessa história."
É, pra um troglodita como o senhor deve ser difícil entender determinados conceitos mesmo. Vejamos:
Já imaginou uma sociedade onde as pessoas têm sua integridade respeitada, intelectual e fisicamente, independente do saldo da conta bancária?
Um lugar onde o conceito de prostituta signifique tão somente um substantivo que designa uma profissão (honestíssima por sinal, mas isso fica pra outro post), onde o único mal que ela pode causar é a si mesma, e não uma qualidade pejorativa?
Um lugar onde as crianças sejam educadas com a mais firme noção do outro, começando por não dar palpite nem interromper conversa de adulto, não frequentar ambiente indequado à crianças, praticar o por favor, obrigado e com licença no dia a dia, falar sem gritar, passando por ouvir a tv/som em altura que nao torne impossível a vida dos demais da casa e nao tomando o último iogurte da geladeira sem perguntar se é de alguém.
Um adulto que não consegue enxergar a demência de um comportamento desses no próprio filho, denuncia o óbvio: a prática do racismo, da prepotência, da homofobia, enfim, da troglodice de forma geral e irrestrita é um comportamento normal para indivíduos desse naipe e, pior!, está sendo eficientemente passado de pai pra filho por muitas gerações ainda. Porque infelizmente essa espécie vive solta. E se reproduz.

8 comentários:

Ana Paula disse...

Suziiiii, eu te amo! Adoro quando vc roda a baiana, adoro muito. eu já tinha lido essa reportagem e fiquei com o mesmo sentimento que você, só que vc sabe falar isso, e eu fico remoendo por dentro. A melhor parte é qdo vc diz que se isso passar pela cabeça dos seus filhos eles sabem o que os espera em casa. Exatamente. Os meus idem.
Eu lembro que uma vez, meus irmãos adolescentes picharam um muro perto de casa. Meu pai ficou furioso, além do esporro geral comprou sabão e tinta e fez os dois irem lá pedir desculpas e limpar o muro. é isso, não é brincadeira não. Se alguém esvaziar o extintor em cima desse cara, eu quero ver ele dizer que tudo bem, foi só uma brincadeira de adolescente. Principalmente se esse adolescente for pobre e negro.
Eu não quero viver nesse mundo, meu deus, não quero. PQP!!!

Anônimo disse...

Aninha meu amor, tem hora que não dá.
beijos
Suzi

Mauro Chazanas disse...

Suzi, sério que me deu vontade de te aplaudir ao te ler. Te imaginei, do pouco (por enquanto, espero) que conheço falando isso. Pra aplaudir de pé. Olha, é o tipo de coisa que "lava a alma" da gente ler.
Por outra, dá pra imaginar, embora eu prefira não, o que faz este senhor no seu dia-a-dia, de "normal", coisa "à-toa". Suzi, quando lhes pisam nos pés, agem como aquele outro que buzinou atrás do casal empurrando a carroça na chuva, que voce publicou. Parabéns, beijo.

Helga disse...

Todo mundo que chegou primeiro aqui falou tudo o que eu ia falar.
Então, só me resta dizer: ahhhhhhh que orgulho de ser amiga dessa moça!!
Te amo.
beijos

Mani disse...

Apoiado!!!!!!!!!!

elsO lUiz disse...

ira... em larga escala?
pensas que podes mudar algo?
receito-lhe a paz!

Denise Zen disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Denise Zen disse...

Por isso que eu sempre defendi a esterelização em massa... mas como fica difícil saber quem esterelizar ou não (embora neste caso seja bem fácil), acho que as pessoas deveriam ter que ganhar permissão para reproduzir. Tipo o que fazem para ter habilitação para adoção. Muita gente, muita mesmo, não iria poder nem pensar em reprodução...